MTV Brasil

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Dinho Ouro Preto derrapa em disco.


Dinho Ouro Preto derrapa em disco de releituras para clássicos do rock


O músico Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, acaba de lançar o álbum “Black Heart”, o seu segundo registro como artista solo. Com esta empreitada, o roqueiro apresenta uma seleção de releituras para clássicos da história do rock and roll. Mas a intenção de Dinho não é superar as versões originais, revolucionar o cenário musical ou gravar o melhor disco de 2012. O artista quer apenas prestar uma homenagem aos seus ídolos e cantar sobre as várias facetas do tema relacionamento.
Todo mundo sabe que Dinho é atencioso para com os fãs, carismático e faz parte de uma das bandas mais bem sucedidas do pop rock brasileiro. Porém, ele parece um tanto quanto deslocado de seu habitat natural ao sair da zona de conforto conquistada pelo repertório do Capital e partir para a interpretação de canções que marcaram diversas épocas da história do rock. O fato de cantar todo o repertório do CD em inglês não pode ser encarado como ‘condição adversa’, pois o vocalista domina o idioma como poucos, além de ter vivido em países de língua inglesa durante boa parte de sua infância.
A capa do disco é um anúncio de que algo um pouco fora do convencional está por vir. Nos dias atuais, posar para uma foto segurando um telefone como se estivesse travando um diálogo é algo um tanto quanto fora de moda. Quando o “modelo” aparece por duas vezes na imagem, como se fosse um “fantasma” ou um “clone”, o conceito da arte gráfica do álbum se aproxima ainda mais do que se pode entender como ultrapassado. Mas o que torna “Black Heart” um trabalho difícil de se assimilar é a aparente estratégia de oferecer interpretações introspectivas e às vezes pouco arrojadas para as faixas que compõem o álbum.
Em músicas como “Nothing Compares 2 U” (Sinead O’Connor) e “Dancing Barefoot” (Patti Smith), originalmente cantadas por mulheres, Dinho – apesar de cantar em uma oitava abaixo – parece encontrar dificuldades em fazer com que a sua voz alcance de maneira espontânea as notas, fato este que dá abertura para o surgimento de ligeiras semitonações vocais. Isto é, o ouvinte tem a sensação de que há desencontros entre a voz e a afinação dos instrumentos em certas partes da canção. Já em faixas do naipe de “Suspicius Mind” (Elvis Presley) e “Hallelujah” (Leonard Cohen), conhecidas pelos seus clássicos vocais encorpados e aveludados, a roupagem pouco vigorosa oferecida pelo vocalista do Capital Inicial reduz uma boa parte da emoção natural das respectivas letras.
Como é de se esperar de um artista que tem quase 30 anos de estrada, o disco também tem pontos positivos. Ficou claro, por exemplo, que ao contrário de muitos artistas da música pop, Dinho não usa recursos como auto-tune; que permite ao adepto a afinação perfeita. A releitura acústica oferecida à música “Being Boring” (Pet Shop Boys) deu uma dose de reflexão ao tema da letra em relação a sua versão original. Nota-se que a participação da cantora Lisa Pepineau também foi uma decisão acertada, pois ela oferece às faixas a sutileza feminina necessária para se cantar sobre relacionamentos.
Por fim e não menos importante: para a alegria dos fãs do Capital Inicial, Dinho já deixou claro que não pretende abandonar a banda e que “Black Heart” é um projeto, que apesar de todos os aparatos de divulgação, tem começo, meio e fim definidos. Nas palavras do próprio artista, o lançamento deste disco é apenas “um capricho”.

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